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Sob influência da Turquia, dólar fecha em alta de 0,8%, a R$ 3,89


RIO e SÃO PAULO - A crise financeira na Turquia voltou a contaminar os mercados financeiros globais nesta segunda-feira, pressionando sobretudo as moedas de países emergentes. No Brasil, o dólar comercial avançou 0,82% ante o real, cotado a R$ 3,896 para venda. Na máxima da sessão, a divisa chegou a valer R$ 3,926. Na Bolsa, apesar da maior aversão a risco, as ações subiram na contramão dos mercados estrangeiros, fazendo com que o Ibovespa, principal índice de ações doméstico, registrasse valorização de 1,28%, aos 77.496 pontos. De acordo com especialistas, depois de cinco quedas seguidas - a semana passada foi a pior para a B3 em mais de um ano - e com a alta do dólar, as ações brasileiras acabaram ficando baratas para os investidores estrangeiros.


Também contribuiu para a Bolsa local a notícia de que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) promete dar mais transparência à política de preços dos combustíveis, que, segundo analistas, fez com que a Petrobras revertesse sua queda e subisse mesmo em dia de queda do petróleo.


Depois do mal-estar do mercado na semana passada, o investidor percebeu que não havia ocorrido uma deterioração tão rápida na operação das empresas a ponto de justificar uma queda daquelas. O gestor de fundos viu oportunidades que estão ficando baratos, até porque os resultados das companhias têm surpreendendo positivamente. Os números mostram que, apesar da lentidão da retomada, as empresas fizeram sua reestruturação interna - observou Álvaro Frasson, da corretora Spinelli.


O Dollar Index, índice da Bloomberg que mede a força do dólar frente às dez moedas mais importantes, chegou a atingir o maior valor em mais de um ano com a desvalorização de moedas de países em desenvolvimento. O índice avançou 0,23%. Entre as 31 principais moedas do mundo, nenhuma avançou sobre o dólar. Com as maiores desvalorizações, ficaram as divisas de países emergentes. Depois da lira turca, as moedas que mais perdem valor hoje são o peso argentino (2,38%), rand sul-africano (queda de 2,26%), o peso colombiano (2,09%) e a rúpia indiana (1,57%). O real foi a décima moeda que mais se enfraqueceu.


— Muitos bancos europeus estão expostos à divida pública turca, mas o efeito imediato é na categoria de moedas emergentes. Não quer dizer que vá arrastar outros países juntos, mas se o dólar começar a flertar com os R$ 4, talvez o Banco Central tenha motivos para avaliar alguma intervenção — disse Cleber Alessie, operador da corretora H.Commcor.


Alessie lembra que o BC costuma não realizar intervenções quando o movimento de valorizaçao do dólar é global, mas ele pode agir para atenuar a velocidade do movimento.


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RISCO-PAÍS DISPARA


De acordo com Paulo Petrassi, da Leme Investimentos, o real recua menos que as outras divisas emergentes por causa do equilíbrio de suas contas externas. No entanto, a fragilidade das contas públicas brasileiras acaba tornando o país vulnerável às perdas sofridas por outros emergentes.


- Infelizmente, não fizemos o dever de casa. Não cuidamos do lado fiscal, e isso deixa o mercado vulnerável. Assim, sofremos como os outros emergentes, não temos como escapar disso - disse Petrassi. - Essa volatilidade deve continuar, já que a Turquia erra ao recorrer ao populismo. O momento é de subir juros e obter um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Enquanto isso não acontecer, a situação continuará tensa.


Para Juliano Ferreira, estrategista da BGC Liquidez, diante da aversão maior a risco, os investidores foram seletivos.


- Está havendo uma certa seleção por parte dos investidores entre os mercados emergentes da América Latina. Argentina e Colômbia sofrem mais, mas países que conseguem se financiar melhor, como o Brasil, acabam sofrendo menos do que os outros - avaliou.


Com a turbulência nos mercados e a alta do dólar, a percepção de risco associada ao Brasil e medida pelo Credit Default Swap (CDS, espécie de seguro contra calote da dívida soberana) saltou de 236 para 252 pontos.



09/08/2018

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