Notícia

Greve de 30 mil trabalhadores da construção civil é prejuízo para todos, afirma Sinduscon


A projeção de instituições financeiras para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), este ano, subiu pela quinta vez seguida, ao passar de 7,19% para 7,25%.


A greve prevista para o dia 8 de julho dos mais de 30 mil trabalhadores da construção civil de Cuiabá e região metropolitana pode trazer prejuízos não só para as empresas, mas como para a própria categoria, que hoje em muitas obras ganha por produtividade. A construção civil na Grande Cuiabá, além de contar com redução de lançamentos, poderá ter problemas em atrasos de obras.


Os trabalhadores da construção civil pedem um reajuste de 11,57% sobre os salários. Os trabalhadores e o Sindicato das Indústrias Civil do Estado de Mato Grosso (Sinduscom) já realizaram diversas reuniões e a última proposta feita pelos empresários foi de 6,4% de reajuste em duas vezes, mas o valor foi repudiado pelas representações laborais e trabalhadores.


O Sinduscon reconhece que a greve é um direito constitucional, porém o prejuízo da paralisação é para todos, ou seja, tanto para os empresários quanto para os trabalhadores e, principalmente, para a sociedade que aguarda a entrega das chaves de suas moradias.


“O prejuízo é para todos. No caso das empresas é o atraso das obras. Já no caso dos trabalhadores muitos hoje ganham por produtividade. O setor da construção civil enfrenta diversas dificuldades hoje com atrasos em repasses por parte do Governo Federal, obras públicas, redução de lançamentos, dificuldade para conseguir linha de financiamento. Além disso, as taxas de juros de financiamento aumentaram, o que dificulta para as pessoas adquirirem um imóvel”, declarou ao Agro Olhar o presidente do Sinduscon, Júlio Flávio Miranda.


Segundo Júlio, uma nova reunião com os trabalhadores está agendada para julho.


Confira nota enviada pelo Sinduscon-MT:


Sobre a ameaça de greve dos trabalhadores da construção civil, o Sindicato das Indústrias da Construção do Estado de Mato Grosso (Sinduscon-MT) vem a público esclarecer que:


1- Respeita o posicionamento da categoria e lamenta profundamente a disposição de greve uma vez que foram realizadas apenas duas rodadas de negociação e a terceira está marcada para o dia 8 de julho. As negociações apenas começaram e a sinalização é por um movimento paredista, demonstrando uma categoria que não está aberta ao diálogo;


2- É de conhecimento da sociedade que a situação política e econômica do país afeta o setor produtivo, especialmente a indústria da construção que sofre com os impactos referentes à elevação de custos dos insumos de produção e da necessidade de manter sua atividade empresarial e a manutenção de empregos;


3- Houve queda de lançamentos imobiliários em Mato Groso, uma situação atípica considerando que o Estado até então sempre reforçou os índices da indústria com fomento a novos empreendimentos e abertura de postos de trabalho na área da construção;


4- O Caged relativo ao mês de abril mostra um saldo de 7.399 trabalhadores demitidos em doze meses, fruto desse quadro econômico que só tem piorado;


5- No período de 2000 a 2015 o IPCA/INPC apresentou um acumulado de 107,42% enquanto o Sinduscon/MT, nesse mesmo período, concedeu ao trabalhador da construção civil um ganho real de 128%. Os 6,41% oferecidos por este sindicato patronal estão relacionados à capacidade financeira atual, caso contrário as empresas correm o risco de atrasar salários e/ou ter que reduzir o quadro de pessoal.


6- O Sinduscon/MT entende que não existe emprego sem empresa, assim como não existe empregado sem trabalho. Então o momento é de canalizar esforços por um entendimento e não de uma retaliação.


7- Por fim, o sindicato patronal acredita que num entendimento, muito embora o sindicato laboral mantenha uma postura de inflexibilidade e irredutibilidade, uma vez que não que a situação econômica e política não atinge apenas os trabalhadores, mas todos os empregadores do país e do Estado.


8- Continuamos abertos ao diálogo até o esgotamento das possibilidades e contamos com a compreensão dos trabalhadores.


Fonte: OLHAR DIRETO

22/06/2016

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