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COVID-19

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Covid-19: Segunda onda de contágio é inevitável em meio à reabertura

 

 

 

A covid-19 já levou mais de 1 milhão de pessoas à morte e o novo coronavírus continua a se espalhar, com diversas fases da pandemia sendo observadas ao redor do mundo.

 

Países europeus e asiáticos registram um aumento do número de infecções após o relaxamento das medidas impostas para frear a disseminação do vírus. Especialistas ouvidos pelo R7  avaliam que uma segunda onda é inevitável em meio à reaberura.

 

"Podemos dizer que todos os países que fizerem reabertura vão ter novos casos. Uma reabertura sem planejamento e sem testagem vai estar associada ao aumento do número de casos e óbitos", afirma Lígia Bahia, médica sanitarista e professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

 

A especialista explica que isso acontece porque muitos ainda estão suscetíveis ao coronavírus e, quando as medidas de restrição são relaxadas, essas pessoas que nunca tiveram contato com o vírus entram em contato com outras que já estão infectadas.

 

"A gente tem que entender que a imunidade coletiva não foi atingida. Até que uma vacina eficaz esteja disponível e, mesmo depois disso, vamos ter que manter as medidas de isolamento e prevenção", analisa Unai Tupinambás, infectologista e professor da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

 

A médica epidemiologista Maria Rita Donalisio Cordeiro, professora do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Unicamp, destaca que flexibilizar as restrições com segurança é o desafio que se impóe para todo o mundo, pois ainda existem muitas dúvidas em relação ao novo coronavírus, inclusive sobre a imunidade coletiva - ou de rebanho.

 

Não se sabe, por exemplo, se a proteção desenvolvida pelo sistema imunológico contra o coronavírus é duradoura e qual porcentagem da população precisa ter contraído o vírus e ter anticorpos para que se alcance a imunidade coletiva.

 

"Mas é muito cruel ficar esperando a população adoecer. Então temos que ter uma vacina segura e eficaz, e doses suficientes para toda a população", pondera.

 

De acordo com ela, a segunda onda de contágios em países europeus está causando menos mortes porque tem atingido mais a população jovem.

 

"A gente está com medo que isso [aumento da transmissão do coronavírus] aconteça aqui [no Brasil]. Mas depende de quanto o vírus já circulou na população e não temos certeza sobre o nível de circulação porque não há dados sistematizados, eles são muitos diferentes conforme a região", avalia.

 

A epidemiologista lembra que pessoas assintomáticas e pré-sintomáticas também podem transmitir o coronavírus, fato que dificulta o controle de sua disseminação se não há testagem em massa.

 

"É preciso fazer o rastreamento de sintomáticos, isolar os contactantes, pois eles podem ser transmissores sem sintomas. Mas quando a epidemia está muito disseminada fica difícil fazer esse controle. Campinas mesmo conseguiu fazer esse rastreamento no início, mas depois houve um descontrole", exemplifica.

 

Fonte: R7